(Reblogou de jeffreyandme)

Jeffrey T. Larson

The media give substance to, and thus intensify, narcissistic dreams of fame and glory, encourage common people to identify themselves with the stars and to hate the ‘herd’, and make it more and more difficult for them to accept the banality of everyday existence.
Christopher Lasch, The Culture of Narcissism

(Fonte: sethorphic)

(Reblogou de theweightofemptiness)
To write a single line of verse one must see many cities, people, things, one must know animals, one must feel birds flying and know the movements flowers make as they open up in the morning. One must be able to think back to roads in unfamiliar regions, unexpected encounters, and partings which one saw coming long before; one must be able to think back to those days in peaceful and secluded rooms, and to those mornings by the sea, to the sea anywhere, to seas, to nights of travel that swept along high above, flying with the stars; to nights of love and passion. And it’s still not enough. Having all sorts of memories is still not enough. For the memories are not what’s essential. It’s only when they become blood within us, become our nameless looks and signs that are no longer distinguishable from ourselves—not until then does it happen that, in a very rare moment, the first word of a verse rises in their midst and goes forth from among them.
Rainer Maria Rilke, from The Notebooks Of Malte Laurids Bridge
(Reblogou de journalofanobody)
(Reblogou de jeffreyandme)
(Reblogou de christinasanantonio)

SALMO

Cantai a seiva que sobe das raízes,
O arado do tempo cortando o nevoeiro;
Cantai a vida que sangra e incendeia,
Vós todos que lavrais a terra, tecelões e pedreiros

Entrai na força escondida do desejo,
Domadores de cavalos, aguadeiros,
Pois vossas mãos acenderam candeias
E vossos olhos alumiaram a noite

Trazei à taça da vida nova que se anuncia
Os trapos velhos das dores enterradas;
Joalheiros de dedos magoados,
Vós todos que esperais o parto das sementes

Assinalai a pedra onde caístes
E a madeira em que vos crucificaram:
Porque há música nos ritos da tortura
Que canta o dia novo que não tarda

Enquanto não sabemos o caminho,
Cantemos já o dom de caminhar;
Se estamos juntos não teremos medo:
Alguém no invisível nos espera

Plantemos flores à beira do abismo
Há-de haver no deserto um lugar de água
Alguém que nos chame pelo nome
E nos acolhe ao termo da viagem.

José Augusto Mourão
in O Nome e a Forma

(Reblogou de madamescherzo)

Longo se faz o dia a quem não ama
e ele sabe-o. E ele ouve esse toque
breve e duro do corpo, sua alquebrada
canção, a soar sempre à lonjura.
Fecha a sua porta e fica bem fechada;
sai e, por um momento, os seus joelhos
deslizam para o solo. Mas a alvorada
com generosidade perigosa
refresca-o e levanta-o. Muito clara
está sua rua, ele vagueia, pés incertos,
e coxeia em seguida porque anda
só com sua fadiga. E diz ar:
palavras mortas com sua boca viva.
Prisioneiro por não querer, abraça
a sua própria solidão. E está seguro,
mais seguro que ninguém porque nada
possuirá; e ele bem sabe que nunca
viverá aqui, na terra. A quem não ama,
como podemos conhecer ou como
perdoar? Dia longo e ainda mais longa
a noite. Mentirá ao tirar a chave.
Entrará. E nunca habitará a sua casa.

Claudio Rodríguez (1934-1999)

(Reblogou de lilacsinthedooryard)